Músicas que eu gostaria de ter escrito #03

Eu estava no pré-II. Era dia internacional da mulher. E a professora começou a explicar o porquê de existir aquele dia, das trabalhadoras morrendo queimadas em fábricas. Isso nunca saiu da minha cabeça.

Logo depois de contar a história, ela tocou “Maria, Maria” e desde esse dia, eu nunca mais consegui ouvir essa música sem sentir imensos arrepios, sem lembrar dessas histórias todas. Ao menos 16 anos passaram e essa música ainda me causa tanta coisa.

Acho que se existe uma música intensa em todos os seus sentidos é essa. E é por isso que eu adoraria ter a honra de tê-la escrito.

Agridoce.

Agridoce é um projeto paralelo, coisa não muito comum entre artistas brasileiros. Acontece que Pitty (já falei dela aqui) e Martin se juntaram para fazer alguma coisa diferente daquilo que acontece na outra banda deles. E é disso que vou falar hoje.

Lembro de alguma coisa ter me levado a algumas poucas músicas gravadas por pelos dois, alguma coisa no My Space. Nascia alguma coisa diferente, bem do jeito que nasce uma nova banda: Pela vontade de fazer algo diferente, de dar espaço para aquilo que precisa ser colocado para fora.

Entre essas primeiras músicas, já estava “Dançando”, aquela que acabou ficando mais famosa. Li em algum lugar a Pitty dizendo que começou a escrever a letra dessa música após um encontro com amigos e que ela fala daqueles momentos em que a gente se sente bem por gestos simples que são belos.

Se paro para pensar no que a Pitty disse dessa música, da beleza na simplicidade, começo a perceber que o lance do Agridoce, para mim, é bem isso mesmo: o simples que é belo, que é singelo, que pode, sim, ser dor e que traz o belo da dor conjuntamente.

Gosto muito dos elementos musicais que existem nas músicas desse projeto: as percussões, o piano, os violões, as duas vozes, a escaleta , enfim: Gosto de se trazer mais elementos para a música. Ainda mais elementos mais orgânicos num tempo de tanta coisa eletrônica sem freio.

Acho que as letras do Agridoce são mais falando de si. Da dor da existência, da dor do amor. Não só da dor, mas das alegrias. Acho que são letras que falam do peso da existência: um peso que dói e que é prazer.

Agridoce é uma daquelas coisas que vale a pena ouvir. Não há no Brasil nada que seja muito parecido: Existe coisas com influências notavelmente parecidas como a Tiê e o Thiago Pethit, mas mesmo que você não goste da banda que leva o nome da Pitty, acho que precisa ouvir, porque isso aqui é diferente: as letras são diferentes, os elementos são outros, a temática é outra, o clima é outro, a banda é outra. E tem até cover de Smiths, para gente se apaixonar ainda mais.

Sobre boas energias e Rancore.

Ouvi Rancore a primeira vez há uns bons anos. A música era “M.E.I” e, de alguma forma, posso dizer que depois daquele momento nunca mais senti música do mesmo jeito. Parecia que tudo tinha mudado.

E realmente tinha mudado. Era aquela coisa: Eu já tinha ouvido música feita de forma emocional, já tinha ouvido música que me emocionasse, já tinha ouvido MUITA coisa, mas Rancore me arrepiava, me fazia pensar, me fazia sorrir. E foi aí que entendi todo o sentido de fazer música por amar música e não fazer música para conseguir um reconhecimento midiático da sua existência.

Desde “Yoga, Stress e Cafeína” é assim. Quando coloco um cd do Rancore não sei que tipo de emoção vai me tomar. Sei que podem vir sorrisos, lágrimas, arrepios, pensamentos de todos os tipos. E é sempre, sempre uma surpresa agradável.

Rancore tem peso e tem delicadeza. Tem letras belíssimas e verdade. E me acompanhou nessa vida em diversos momentinhos.

Dos mais belos sonhos de viver de música, como em “Odisséia”, às dores mais profundas de ver a vida de alguém especial sendo levada, como em “Álamo” e “Cresci. Acho muito bonito pessoas que tem essa capacidade de falar da existência de forma poética e que realmente toca a gente.

Não poderia fazer um post falando de Rancore sem falar da minha grande afeição pela voz do Teco, que me emociona de forma absurda em suas notas mais altas.

Penso que me sinto tão emocionada quando escuto as músicas dessa banda pelas letras terem um quê de reflexões pessoais sobre a vida, algo que, é claro, me encanta, senão não gostaria tanto das filosofias e psicologias, não é?

Posso até estar sendo arriscada demais, mas acho que Rancore é a melhor banda de rock que surgiu no país em muitos anos. Por transmitir energia, por falar coisas com verdade, por trazer belas reflexões, por ser música boa e, principalmente, por ser feito com amor e tesão.

No mais, deixo o link do novo cd da banda, o Seiva e aquela frase que vou tatuar muito em breve:

http://soundcloud.com/rancoreseiva/sets/seiva

“Liberte sua paixão, não tema viver, não fuja do que crê”

Falando de Fresno (e de mim, por conseqüência)

Desde que escrevi o post a respeito do Esteban, a carreira solo do Tavares, me deu uma puta vontade de escrever sobre a Fresno.

E aí, comecei a pensar: afinal, como escrever a respeito de uma banda que acompanha a minha vida há tanto tempo?

Quando achei a solução, pensei em um tipo de post que passasse por cada um dos discos da banda, porque sei que posso falar de cada um deles com certa propriedade (e de alguns com muito mais amor).

A Fresno entrou na minha vida em um dia que um colega de escola me emprestou o ” Quarto dos Livros”, o primeiro cd da banda. Depois daquelas dez músicas, foi pura paixão. Esse mesmo colega me deu esse cd de presente e, sem mentira alguma, colocava no repeat e ouvia muitas, muitas vezes em um dia.

Fresno esteve comigo durante os últimos 7 anos da minha vida, pelo menos. E nunca saiu, porque poucas bandas conseguem colocar em palavras tudo aquilo que sinto.

Já aviso, antes de começar este post pra valer que se você acha que Fresno é uma banda emo tonta e não quer acreditar em nada que eu vou falar aqui, eu dou o conselho de você tentar ao menos se despir um pouquinho disso, porque Fresno é bem mais do que essa imagem que se criou em volta de um nome que a maioria das pessoas nunca nem parou para escutar.

Bom, recado dado. Vamos lá.

Fiquei em dúvida sincera sobre qual seria o primeiro disco a comentar, se seria a demo “O Acaso do Erro” ou “Quarto dos Livros”. Optei por falar da demo.

Eu tenho muito amor por cada uma das músicas da demo, é sério. Mas a qualidade da gravação é péssima e, musicalmente, ela é bem falha em alguns momentos. Mas a real é que eram alguns garotos fazendo hardcore, de um jeito bem inocente ainda e isso é encantador.

As letras são simples, mas são bem bonitinhas, porque tem toda essa pegada adolescente que permite justamente existir coisas como “Seu namorado é um idiota”, entende?

Das sete músicas, as duas que mais gosto são “(se ao menos você voltasse)” e “se um dia eu não acordar”.

Depois vem “Quarto dos Livros”, que é um cd que eu tenho muito, mas muito amor.

Bom, acho que a maturidade que vem nesse disco vinha mostrar que a Fresno não ia ser só aquela banda de meninos juvenis.

Nesse disco, as letras começam a ser mais trabalhadas, mais metafóricas e mais sutis. Ao mesmo tempo, existiam as letras diretas. E esse é um ponto que fica até hoje na Fresno, algumas letras sutis e outras extremamente diretas.

Musicalmente, nesse disco, as músicas continuam com aquele pé no hardcore, mas acho que o pé no pop começa a existir, em músicas como “Carta”, principalmente.

Nesse disco, guardo um carinho especial por “Mais um Soldado”, “Stonehenge”, “O Gelo” e “Sono Profundo”. (Notem que o disco tem 10 músicas e eu guardo carinho especial por 4)

Depois veio “O Rio, a Cidade, a Árvore”. Uma marca muito, mas muito impressionante na Fresno é a maneira com que eles amadurecem a cada disco. É surreal.

Seria muito falar que esse é um dos discos que mais gosto da Fresno? Seria muito falar que eu tenho vontade de agarrar meu cd desse e não largar nunca mais?

“O Rio, a Cidade, a Árvore” é coeso. Extremamente coeso. As músicas se encaixam de forma que você sente que está ouvindo uma história.

Esse disco tem muito da vida, tem gritos e suspiros. Calma e pressa. Amor e desilusão.

Acho que uma coisa que me marca muito nesse disco é começar a perceber o quanto o Lucas estava se tornando, de fato, um grande cantor.

Nesse disco, tenho como prediletas “Orgulho”, “Impossibilidades”, “Verdades que Tanto Guardei”, “Outra Vez” e “Evaporar”.

Bom, o “Ciano” é um disco que demorei a gostar. Demorei muito. Porque acho que é quando o pop entra na Fresno de fato.

Juro que demorei mais de um ano para ouvir este disco e não reclamar nenhuma vez.

Depois que gostei, percebo um amadurecimento musical mesmo, que sai daquela amarra de “nós fazemos só isso” cai para outros ramos da música. E isso parece bastante positivo.

As letras vão de histórias de amor a frustrações pessoais.

Devo dizer que este disco saiu bem naquela época da moda insuportável de emo, em que todo mundo que não gostava de uma estética, passou a falar que odiava um estilo musical que nem conhecia. E, nesse momento da moda, justamente em que a Fresno podia ter se prendido naquilo que era mais seguro, eles foram lá e fizeram um disco mais aberto. Ponto para eles.

Nesse disco, “Absolutamente Nada”, “Cada poça dessa rua tem um pouco de minhas lágrimas” e “Logo você” são as minhas prediletas.

(Post gigante, né? Calma que faltam só mais dois discos… Hahahaha.)

Bom, o “Redenção” marca uma série de mudanças. Marca a entrada do Tavares como baixista. Marca a entrada da Fresno em uma gravadora. E com a entrada do Tavares, marca a mudança das composições.

Acho que o Tavares é um puta de um compositor e ele traz para a Fresno coisas mais quebradas, mais maduras musicalmente.

“Redenção”, para mim, é o momento mais pop da Fresno. E um dos mais emocionantes também.

É um cd bastante coeso e, apesar de trazer músicas que eu não gosto, é um dos discos que mais ouvi.

Nesse disco, a música que mais gosto é “Milonga”, que arrisco dizer que é a música que mais gosto em toda a carreira da Fresno. É uma das músicas mais trabalhadas, com uma das letras mais maduras e mais bem escritas.

O último cd, o “Revanche” juro que quase não escutei.

Não tinha baixado, porque não tinha tido interesse. E não sei porque não tinha surgido o interesse.

O pouco que ouvi, senti riffs mais puxados pro rock. Senti ainda a pegada pop. Senti as letras maduras. E senti que a Fresno firmou um lugar. Senti que eles são a Fresno e que ninguém mais é parecido com o que eles fazem.

Fiquei apaixonada pelo clipe de “Eu sei”.

Falo que falar da Fresno é falar da minha vida, porque sinto que musicalmente, fui trilhando caminhos parecidos. Os dois pés em um lugar, o começar a mesclar, o negar a origem, o voltar a origem com todas as mudanças das experimentações vividas.

Fresno é digno. Fresno é uma das melhores bandas nacionais. E eu só tenho dó das pessoas que se neguem a escutar música boa por puro preconceito.

Esteban Tavares.

Aviso desde já que esse vai ser um daqueles posts de fã insuportável.

Sou fã do Tavares desde que conheci o trabalho da Abril, sinceramente, não lembro bem quando foi. Sei que Abril foi muito amor. Porque era mais uma daquelas bandas gaúchas que cantavam com sotaque. E isso me fascina demais.

E aí veio o momento em que o Tavares entrou na Fresno. E foi muito, mas muito mais amor. Porque eu já era fã de Fresno, adorava as composições do Tavares e sabia que tudo ia ficar ainda mais lindo com ele. E, não posso negar, a Fresno amadureceu demais com ele ali.

Depois veio o Esteban. A carreira solo dele. E é a ela que vou dedicar o post de hoje.

Acho que o Esteban é a parte mais pop da carreira do Tavares. Não sei porque, mas imagino que Esteban seja o lugar onde ele se sente mais livre para colocar os elementos que ele não consegue colocar em outros lugares. É lá que sinto a influência clara de Engenheiros do Hawaii, banda da qual o Tavares é declaradamente fã, por exemplo.

Sempre, sempre fui apaixonada pela voz do Tavares. Acho que é uma voz linda e impecável na sua imperfeição. A voz dele tem força, tem peso e leveza. E tem emoção, é daquelas coisas que você ouve e sabe que o cara tá cantando com vontade, com paixão. E além disso, amo gente que canta com sotaque.

Agora, vamos falar das composições. 🙂

Acho que o Tavares é um dos grandes compositores mais novos. Ele faz letras belíssimas e músicas extremamente concisas.

É engraçado, né? Tem gente que nasceu para fazer música. E acho que o Tavares é dessas pessoas, que a gente sente que ama de verdade estar fazendo aquilo.

E é por essas e outras que eu não me canso de ouvir.

Sobre como e por que eu comecei a ouvir rock.

Entrei nas estatísticas do blog outro dia e alguém chegou até aqui com a seguinte pergunta:

“Por que ouvir rock?”

E essa pergunta começou a me instigar sobre a minha relação com o rock e porque comecei a ouví-lo. Aí como não faço muitos posts miscelânia, me veio a idéia de escrever sobre esse estilo musical que inegavelmente mudou a minha vida.

Comecei a ouvir rock ainda muito cedo. Não lembro muito bem a primeira banda que ouvi. Lembro de gostar bastante de metal e de assistir o Fúria MTV. Uma banda que me marcou muito nesse sentido foi o Metallica, principalmente por alguns clipes, porque sempre sempre fui uma grande viciada em MTV.

Acho que o que mais me encantava no rock, no comecinho da minha adolescência era a possibilidade de a partir da música que ouvia, ou da maneira que me vestia (hoje a minha sanidade diz: ridícula) poder me destacar das pessoas na escola. Eu sentia claramente que não era um deles e essa era uma maneira de dizer “eu sou diferente”.

Com o tempo, outros estilos de rock foram entrando na minha vida. Lembro de uma fase muito forte de punk rock na minha vida. Eu ouvia do punk rock mais clássico, como Ramones e Clash, aos chamados-na época- punk rock coloridinhos ou pirulito, ou como preferirem. Aí ouvia bastante Blink e Green Day. Enfim, essas bandas bem adolescentes.

E aí tive meu momento bandas com baladas melosas, como Bon Jovi, Skid Row, Aerosmith. A verdade é que eu sempre adorei um romantismo brega e clichê. E ouvir essas bandas era inevitável, ainda que tudo soasse extremamente brega em algum momento.

E acho que a fase mais significativa e que mais me marcou foi quando comecei a ouvir hardcore. Porque, como sempre, não conseguia fechar em hardcore e ia caçando coisas próximas ao estilo e que me agradavam. Aí entrou na minha vida o emocore, o metalcore, o ska e por aí vai.

E o legal dessa fase é que alternava entre letras muito críticas em relação ao mundo com bandas como Dead Fish e passava para coisas que falavam dos meus sentimentos mais intensos, com bandas como o Mineral.

Mas, na verdade, passaram muitas bandas, das quais não conseguiria explicitar nem sequer a metade.

O objetivo desse post é, na verdade, falar do quanto o rock foi importante para a minha vida, do quanto ele foi o início de formação de uma consciência crítica em relação à vida e de como dentro de um mesmo mundo tive coisas que me falavam para não cair na falta de sensibilidade ou na falta de tato para lidar com o mundo e com as pessoas.

Não posso negar, o rock fez de mim quem sou hoje. E sou muito, muito grata a ele por isso.

Minha paixão mais recente: Maglore

Estava esses dias na casa de um amigo e, enquanto todo mundo bebia, estávamos assistindo mtv. E comecei a prestar atenção nas bandas que passavam, afinal, sempre tem alguma coisa que pode chamar a atenção.

E fui anotando os nomes das bandas que gostava em um guardanapo, assim que cheguei em casa baixei músicas de cada uma delas, mas a que mais me chamou a atenção e a que mais gostei foi uma banda chamada Maglore.

Eles são uma banda de rock lá de Salvador. E aí, mais uma vez, a gente percebe o quanto as pessoas são tontas de achar que rock é uma coisa do sudeste. (Jornalistas tontos, parem de perguntar para a Pitty como é fazer rock na Bahia e vão procurar escutar rock, meus filhos).

Bom, a Maglore me encantou pela pegada indie, inicialmente. E, em segundo lugar, pelo clipe lindíssimo que eu assisti na MTV. Que foi o da música “Demodê”.

Quando parei para ouvir a música com atenção (e sem tanto volume de álcool no sangue), percebi algo que me fascinou: a letra. Gente, que letra mais linda. E ela é cantada de uma forma que encaixa, que faz sentido com o que está sendo cantado.

Tenho alguma implicação com bandas que cantam músicas animadas com letras extremamente tristes. Fico pensando que letra e música não batem. E isso é coisa bastante comum. Aí eu fico bem feliz quando ouço bandas que saem disso.

Uma coisa que gostei bastante da Maglore foi que eles falam que são rock e são rock mesmo. Porque a gente tá cansado de ouvir que alguma coisa é rock e parar pra ouvir e ser pop, reggae, o caralho a quatro que definitivamente não representa nada do bom e velho rock.

E, procurando no youtube, vi que eles são uma banda boa não só no disco, mas são bons ao vivo também. Outra coisa que é tão rara de encontrar.

Vale lembrar que não só a letra de “Demodê” é linda, mas que todas as músicas deles são bastante trabalhadas nesse sentido (e também no próprio sentido música).

E, quando ouço uma banda boa em todos os sentidos, fico feliz, extremamente feliz. Gente que ama música e que sabe fazer música, se dedicando a isso com o empenho necessário para um bom trabalho é sempre encantador.

Me encanto com esse rock com sotaque, bem produzido, com letras belas, com amor e, como estava bem desencantada com as bandas de rock que ouvia, a Maglore veio na hora certa, na hora que eu precisava. E, tenho certeza, eles não vão sair tão cedo do meu radinho.