Nostalgia.

Na última semana, comecei a lembrar de um montão de bandas que eu ouvia quando era mais nova.

Tudo isso começou quando, depois de um momento de absoluto desespero, fui ouvir Dance of Days para me acalmar.

Aí eu, por algum link, cheguei ao vídeo da manifestação contra o aborto em que a Elisa do Dominatrix foi, na coragem, levantar um cartaz em memória às mulheres que morrem por conta do aborto ilegal. E aí puxei a banda na minha memória. E puxei toda a paixão pelo feminismo junto.

E aí estava vindo para São Paulo e decidi arrumar, além das malas, uma playlist que tivesse a ver com o tempo em que mais fui apaixonada por essa cidade maluca. E acabaram surgindo essas bandas aqui:

E como é gostoso ouvir essas músicas e sentir isso de um jeito novo. Já não sou aquela Mariana e essas músicas que tanto me marcaram já batem em mim de um jeito tão diferente…

Sobre boas energias e Rancore.

Ouvi Rancore a primeira vez há uns bons anos. A música era “M.E.I” e, de alguma forma, posso dizer que depois daquele momento nunca mais senti música do mesmo jeito. Parecia que tudo tinha mudado.

E realmente tinha mudado. Era aquela coisa: Eu já tinha ouvido música feita de forma emocional, já tinha ouvido música que me emocionasse, já tinha ouvido MUITA coisa, mas Rancore me arrepiava, me fazia pensar, me fazia sorrir. E foi aí que entendi todo o sentido de fazer música por amar música e não fazer música para conseguir um reconhecimento midiático da sua existência.

Desde “Yoga, Stress e Cafeína” é assim. Quando coloco um cd do Rancore não sei que tipo de emoção vai me tomar. Sei que podem vir sorrisos, lágrimas, arrepios, pensamentos de todos os tipos. E é sempre, sempre uma surpresa agradável.

Rancore tem peso e tem delicadeza. Tem letras belíssimas e verdade. E me acompanhou nessa vida em diversos momentinhos.

Dos mais belos sonhos de viver de música, como em “Odisséia”, às dores mais profundas de ver a vida de alguém especial sendo levada, como em “Álamo” e “Cresci. Acho muito bonito pessoas que tem essa capacidade de falar da existência de forma poética e que realmente toca a gente.

Não poderia fazer um post falando de Rancore sem falar da minha grande afeição pela voz do Teco, que me emociona de forma absurda em suas notas mais altas.

Penso que me sinto tão emocionada quando escuto as músicas dessa banda pelas letras terem um quê de reflexões pessoais sobre a vida, algo que, é claro, me encanta, senão não gostaria tanto das filosofias e psicologias, não é?

Posso até estar sendo arriscada demais, mas acho que Rancore é a melhor banda de rock que surgiu no país em muitos anos. Por transmitir energia, por falar coisas com verdade, por trazer belas reflexões, por ser música boa e, principalmente, por ser feito com amor e tesão.

No mais, deixo o link do novo cd da banda, o Seiva e aquela frase que vou tatuar muito em breve:

http://soundcloud.com/rancoreseiva/sets/seiva

“Liberte sua paixão, não tema viver, não fuja do que crê”

Falando de Fresno (e de mim, por conseqüência)

Desde que escrevi o post a respeito do Esteban, a carreira solo do Tavares, me deu uma puta vontade de escrever sobre a Fresno.

E aí, comecei a pensar: afinal, como escrever a respeito de uma banda que acompanha a minha vida há tanto tempo?

Quando achei a solução, pensei em um tipo de post que passasse por cada um dos discos da banda, porque sei que posso falar de cada um deles com certa propriedade (e de alguns com muito mais amor).

A Fresno entrou na minha vida em um dia que um colega de escola me emprestou o ” Quarto dos Livros”, o primeiro cd da banda. Depois daquelas dez músicas, foi pura paixão. Esse mesmo colega me deu esse cd de presente e, sem mentira alguma, colocava no repeat e ouvia muitas, muitas vezes em um dia.

Fresno esteve comigo durante os últimos 7 anos da minha vida, pelo menos. E nunca saiu, porque poucas bandas conseguem colocar em palavras tudo aquilo que sinto.

Já aviso, antes de começar este post pra valer que se você acha que Fresno é uma banda emo tonta e não quer acreditar em nada que eu vou falar aqui, eu dou o conselho de você tentar ao menos se despir um pouquinho disso, porque Fresno é bem mais do que essa imagem que se criou em volta de um nome que a maioria das pessoas nunca nem parou para escutar.

Bom, recado dado. Vamos lá.

Fiquei em dúvida sincera sobre qual seria o primeiro disco a comentar, se seria a demo “O Acaso do Erro” ou “Quarto dos Livros”. Optei por falar da demo.

Eu tenho muito amor por cada uma das músicas da demo, é sério. Mas a qualidade da gravação é péssima e, musicalmente, ela é bem falha em alguns momentos. Mas a real é que eram alguns garotos fazendo hardcore, de um jeito bem inocente ainda e isso é encantador.

As letras são simples, mas são bem bonitinhas, porque tem toda essa pegada adolescente que permite justamente existir coisas como “Seu namorado é um idiota”, entende?

Das sete músicas, as duas que mais gosto são “(se ao menos você voltasse)” e “se um dia eu não acordar”.

Depois vem “Quarto dos Livros”, que é um cd que eu tenho muito, mas muito amor.

Bom, acho que a maturidade que vem nesse disco vinha mostrar que a Fresno não ia ser só aquela banda de meninos juvenis.

Nesse disco, as letras começam a ser mais trabalhadas, mais metafóricas e mais sutis. Ao mesmo tempo, existiam as letras diretas. E esse é um ponto que fica até hoje na Fresno, algumas letras sutis e outras extremamente diretas.

Musicalmente, nesse disco, as músicas continuam com aquele pé no hardcore, mas acho que o pé no pop começa a existir, em músicas como “Carta”, principalmente.

Nesse disco, guardo um carinho especial por “Mais um Soldado”, “Stonehenge”, “O Gelo” e “Sono Profundo”. (Notem que o disco tem 10 músicas e eu guardo carinho especial por 4)

Depois veio “O Rio, a Cidade, a Árvore”. Uma marca muito, mas muito impressionante na Fresno é a maneira com que eles amadurecem a cada disco. É surreal.

Seria muito falar que esse é um dos discos que mais gosto da Fresno? Seria muito falar que eu tenho vontade de agarrar meu cd desse e não largar nunca mais?

“O Rio, a Cidade, a Árvore” é coeso. Extremamente coeso. As músicas se encaixam de forma que você sente que está ouvindo uma história.

Esse disco tem muito da vida, tem gritos e suspiros. Calma e pressa. Amor e desilusão.

Acho que uma coisa que me marca muito nesse disco é começar a perceber o quanto o Lucas estava se tornando, de fato, um grande cantor.

Nesse disco, tenho como prediletas “Orgulho”, “Impossibilidades”, “Verdades que Tanto Guardei”, “Outra Vez” e “Evaporar”.

Bom, o “Ciano” é um disco que demorei a gostar. Demorei muito. Porque acho que é quando o pop entra na Fresno de fato.

Juro que demorei mais de um ano para ouvir este disco e não reclamar nenhuma vez.

Depois que gostei, percebo um amadurecimento musical mesmo, que sai daquela amarra de “nós fazemos só isso” cai para outros ramos da música. E isso parece bastante positivo.

As letras vão de histórias de amor a frustrações pessoais.

Devo dizer que este disco saiu bem naquela época da moda insuportável de emo, em que todo mundo que não gostava de uma estética, passou a falar que odiava um estilo musical que nem conhecia. E, nesse momento da moda, justamente em que a Fresno podia ter se prendido naquilo que era mais seguro, eles foram lá e fizeram um disco mais aberto. Ponto para eles.

Nesse disco, “Absolutamente Nada”, “Cada poça dessa rua tem um pouco de minhas lágrimas” e “Logo você” são as minhas prediletas.

(Post gigante, né? Calma que faltam só mais dois discos… Hahahaha.)

Bom, o “Redenção” marca uma série de mudanças. Marca a entrada do Tavares como baixista. Marca a entrada da Fresno em uma gravadora. E com a entrada do Tavares, marca a mudança das composições.

Acho que o Tavares é um puta de um compositor e ele traz para a Fresno coisas mais quebradas, mais maduras musicalmente.

“Redenção”, para mim, é o momento mais pop da Fresno. E um dos mais emocionantes também.

É um cd bastante coeso e, apesar de trazer músicas que eu não gosto, é um dos discos que mais ouvi.

Nesse disco, a música que mais gosto é “Milonga”, que arrisco dizer que é a música que mais gosto em toda a carreira da Fresno. É uma das músicas mais trabalhadas, com uma das letras mais maduras e mais bem escritas.

O último cd, o “Revanche” juro que quase não escutei.

Não tinha baixado, porque não tinha tido interesse. E não sei porque não tinha surgido o interesse.

O pouco que ouvi, senti riffs mais puxados pro rock. Senti ainda a pegada pop. Senti as letras maduras. E senti que a Fresno firmou um lugar. Senti que eles são a Fresno e que ninguém mais é parecido com o que eles fazem.

Fiquei apaixonada pelo clipe de “Eu sei”.

Falo que falar da Fresno é falar da minha vida, porque sinto que musicalmente, fui trilhando caminhos parecidos. Os dois pés em um lugar, o começar a mesclar, o negar a origem, o voltar a origem com todas as mudanças das experimentações vividas.

Fresno é digno. Fresno é uma das melhores bandas nacionais. E eu só tenho dó das pessoas que se neguem a escutar música boa por puro preconceito.

Sobre como e por que eu comecei a ouvir rock.

Entrei nas estatísticas do blog outro dia e alguém chegou até aqui com a seguinte pergunta:

“Por que ouvir rock?”

E essa pergunta começou a me instigar sobre a minha relação com o rock e porque comecei a ouví-lo. Aí como não faço muitos posts miscelânia, me veio a idéia de escrever sobre esse estilo musical que inegavelmente mudou a minha vida.

Comecei a ouvir rock ainda muito cedo. Não lembro muito bem a primeira banda que ouvi. Lembro de gostar bastante de metal e de assistir o Fúria MTV. Uma banda que me marcou muito nesse sentido foi o Metallica, principalmente por alguns clipes, porque sempre sempre fui uma grande viciada em MTV.

Acho que o que mais me encantava no rock, no comecinho da minha adolescência era a possibilidade de a partir da música que ouvia, ou da maneira que me vestia (hoje a minha sanidade diz: ridícula) poder me destacar das pessoas na escola. Eu sentia claramente que não era um deles e essa era uma maneira de dizer “eu sou diferente”.

Com o tempo, outros estilos de rock foram entrando na minha vida. Lembro de uma fase muito forte de punk rock na minha vida. Eu ouvia do punk rock mais clássico, como Ramones e Clash, aos chamados-na época- punk rock coloridinhos ou pirulito, ou como preferirem. Aí ouvia bastante Blink e Green Day. Enfim, essas bandas bem adolescentes.

E aí tive meu momento bandas com baladas melosas, como Bon Jovi, Skid Row, Aerosmith. A verdade é que eu sempre adorei um romantismo brega e clichê. E ouvir essas bandas era inevitável, ainda que tudo soasse extremamente brega em algum momento.

E acho que a fase mais significativa e que mais me marcou foi quando comecei a ouvir hardcore. Porque, como sempre, não conseguia fechar em hardcore e ia caçando coisas próximas ao estilo e que me agradavam. Aí entrou na minha vida o emocore, o metalcore, o ska e por aí vai.

E o legal dessa fase é que alternava entre letras muito críticas em relação ao mundo com bandas como Dead Fish e passava para coisas que falavam dos meus sentimentos mais intensos, com bandas como o Mineral.

Mas, na verdade, passaram muitas bandas, das quais não conseguiria explicitar nem sequer a metade.

O objetivo desse post é, na verdade, falar do quanto o rock foi importante para a minha vida, do quanto ele foi o início de formação de uma consciência crítica em relação à vida e de como dentro de um mesmo mundo tive coisas que me falavam para não cair na falta de sensibilidade ou na falta de tato para lidar com o mundo e com as pessoas.

Não posso negar, o rock fez de mim quem sou hoje. E sou muito, muito grata a ele por isso.

Porque Sublime não é banda de uma música só.

Primeiramente, acho que devo pedir desculpas pelo longo período de ausência de posts. Estava enrolada: fim de semestre, seleção de estágios, começo de estágios, mudança de casa e mais uma porção de coisas.

Mas já fiz uma super listinha de bandas das quais gostaria de falar e posso garantir que já tenho vários posts pensadinhos.

Hoje vou falar de uma daquelas bandas que escuto tão rotineiramente que nem consigo encaixar em situações.

Sublime é daquelas bandas que embalariam os meus 20 e poucos anos, se pudesse separar a trilha sonora das fases da minha vida.

A questão é: todo mundo conhece Santeria, mas pouca gente conhece outras músicas do Sublime.

Não que eu não goste dessa música, muito pelo contrário, eu gosto muito. Só não acho que uma banda tão boa, mas tão boa que acho até triste que fique esquecidinha como banda de uma música só.

Basicamente, Sublime é a cara da Califórnia, com aquela mistura de reggae, com ska, com punk e com tudo que é legal.

(Foi um pouco difícil achar vídeos do próprio Sublime, então acabei pegando algumas dessas montagens toscas que as pessoas fazem)

O Sublime acabou por meados de 1995 1996, quando o vocalista morreu por overdose, e isso é algo que por vezes lamento e por vezes agradeço. Lamento porque, porra, Sublime é muito massa, mas agradeço porque acho que acabou num momento bom e, assim, não temos aquela fase decadente da carreira de bandas que não sabem o momento de parar.

Sublime é daquelas bandas que merecem ser descobertas pelas pessoas, porque simplesmente merece ser ouvido em vários momentos, porque é divertido, é bacana e é bonito.

Dance of Days.

Quase não falo de bandas nacionais por aqui e acabei por achar conveniente colocar uma das bandas nacionais que mais gosto por aqui.

Dance of Days é uma paixão de anos e anos na minha vida. Conheci quando ganhei um cd de um garoto que tinha ficado quando tinha uns 14 anos. Fiquei sem ouvir por muito tempo, até que ouvisse e me apaixonasse de fato.

No cd que ganhei, a frase que mais me chamava a atenção era “Não somos músicos. Isso é punk rock.” e acho que a essência do Dance está aí. Portanto, se você não conhece, não vá achar que o fanatismo -tão presente em quem ouve a banda- está ligado ao fato de os caras serem virtuoses, porque não, eles não são.

Acho que o ponto forte do Dance são as letras, extremamente poéticas, ricas, com muitas referências literárias, históricas, de filmes e afins. Dance fala da vida, de alegrias, tristezas, pés na bunda, fracassos, ódios. Enfim, fala de tantos sentimentos que fica difícil colocar aqui em um pouquinho de palavras.

Acho que a banda teve diversas fases, foi moda com o emo, deixou de ser moda e sempre vão existir os fãs fiéis. E eu estou aqui.

Porque toda vez que me sinto angustiada, sei que vou ouvir alguma música que vai preencher exatamente o que estou sentindo.

Geralmente, ela é “Suburbia, 1986”. Linda linda. Uma pena não ter achado nenhum vídeo que ela estivesse com bom áudio.

Outra que amo, amo, que me faz sorrir, chorar, passar por diversas emoções é “Um canto para Caronte”:

Acho triste que as pessoas não aceitem mudanças. Porque Dance é uma banda de diversas fases, inclusive ligadas às fases que os próprios integrantes passaram, é só ver o Nenê Altro, o vocalista tão controverso que passou de Straight Edge a porra-louca-que-dá-bafão. Aí você vê os comentários nos vídeos de youtube, indignados com as mudanças e tal. As mudanças são válidas, não acho que elas tenham mudado a essência de nada.

Dance of days continua aquela banda foda, cheia de letras incríveis e de coisas que emocionam. E, então, por que deixar de gostar?