Músicas que eu gostaria de ter escrito #03

Eu estava no pré-II. Era dia internacional da mulher. E a professora começou a explicar o porquê de existir aquele dia, das trabalhadoras morrendo queimadas em fábricas. Isso nunca saiu da minha cabeça.

Logo depois de contar a história, ela tocou “Maria, Maria” e desde esse dia, eu nunca mais consegui ouvir essa música sem sentir imensos arrepios, sem lembrar dessas histórias todas. Ao menos 16 anos passaram e essa música ainda me causa tanta coisa.

Acho que se existe uma música intensa em todos os seus sentidos é essa. E é por isso que eu adoraria ter a honra de tê-la escrito.

Esteban Tavares.

Aviso desde já que esse vai ser um daqueles posts de fã insuportável.

Sou fã do Tavares desde que conheci o trabalho da Abril, sinceramente, não lembro bem quando foi. Sei que Abril foi muito amor. Porque era mais uma daquelas bandas gaúchas que cantavam com sotaque. E isso me fascina demais.

E aí veio o momento em que o Tavares entrou na Fresno. E foi muito, mas muito mais amor. Porque eu já era fã de Fresno, adorava as composições do Tavares e sabia que tudo ia ficar ainda mais lindo com ele. E, não posso negar, a Fresno amadureceu demais com ele ali.

Depois veio o Esteban. A carreira solo dele. E é a ela que vou dedicar o post de hoje.

Acho que o Esteban é a parte mais pop da carreira do Tavares. Não sei porque, mas imagino que Esteban seja o lugar onde ele se sente mais livre para colocar os elementos que ele não consegue colocar em outros lugares. É lá que sinto a influência clara de Engenheiros do Hawaii, banda da qual o Tavares é declaradamente fã, por exemplo.

Sempre, sempre fui apaixonada pela voz do Tavares. Acho que é uma voz linda e impecável na sua imperfeição. A voz dele tem força, tem peso e leveza. E tem emoção, é daquelas coisas que você ouve e sabe que o cara tá cantando com vontade, com paixão. E além disso, amo gente que canta com sotaque.

Agora, vamos falar das composições. 🙂

Acho que o Tavares é um dos grandes compositores mais novos. Ele faz letras belíssimas e músicas extremamente concisas.

É engraçado, né? Tem gente que nasceu para fazer música. E acho que o Tavares é dessas pessoas, que a gente sente que ama de verdade estar fazendo aquilo.

E é por essas e outras que eu não me canso de ouvir.

Paolo, Paolo, Paolo.

A primeira vez que ouvi Paolo Nutini foi em alguma das rádios que a minha mãe ouve enquanto cozinha (aka Antena 1 e Alpha FM) e pensei que era algum cantor quarentão com cara de galã que cantava “Last Request”, música que tocava tanto que eu acho que deve ter sido trilha sonora de alguma novela das 8.

Mas eu gostava tanto daquela música, mas tanto, que saí procurando por aí quem cantava e, de repente, me deparo com o nome “Paolo Nutini”. Achei que devia ser um italianão vovô.

Aí duas surpresas me aparecem: Era um escocês fofo que cantava as músicas e ele era só um ano mais velho que eu :O.

Depois dessas pesquisas, minha relação musical com o Paolo foi de amor em todos os momentos.

Paolo é música para todos os momentos. A sua voz rouca e madura é perfeita para ouvir no mp3 enquanto viaja, perfeita para relaxar, perfeita para momentos especiais e perfeita para tudo.

E, quando eu achava que o trabalho do Paolo era perfeito no seu primeiro cd, o “These Streets”, ele lançou um segundo cd maravilhoso, muito mais maduro musicalmente e tombou com a minha cara.

Eu não sei que tipo de expressão explica isso, mas acho que é uma questão de dedicação e responsabilidade em relação à música e ao que vai ser lançado. Paolo é top e lança coisas tops. É simples.

E o que mais gosto de tudo que o Paolo faz é que é muita simplicidade, não é superprodução, nada disso, é ele ali fazendo música, se encontrando musicalmente a cada trabalho, curtindo o que faz, evoluindo e se aprimorando.

Para mim, falar do Paolo, é falar de amor. Porque é tudo que eu consigo sentir na sua música.