Música como trilha sonora ou música como alimento?

Fiquei me esforçando para lembrar de onde surgiu a inspiração desse post. A questão é que veio de uma frase dessa entrevista aqui com o Lucas, vocalista da Fresno:

Em alguma parte da entrevista, Lucas falando sobre vinis, diz que “as pessoas não ouvem mais música, tu ouve para dormir, tu ouve para acordar… não é uma coisa para ser trilha sonora, é uma coisa para ouvir e consumir a música”.

De alguma forma, isso fez todo um sentido de reflexão em relação ao mundo e à minha vida, até porque, eu gosto muito de parar e pensar sobre as coisas. E como eu amo tanto música, fazia sentido pensar sobre isso.

Não é de hoje que música se tornou algo para embalar a sua vida. Você ouve para acordar, para costurar, para dormir, para estudar, para trepar, enfim: ouve para viver e, por isso, acaba não vivendo a música. Isso acabou acontecendo, é claro, com a “imagetização” da música, a partir dos videoclipes, e mais tarde (e mais gritantemente) com o livre acesso à música a partir dos mp3: em um mundo onde ter aquela discografia é mais importante do que ouvi-la e gostar realmente dela.

Degustar música não é fácil e para quem está acostumado a viver nesse mundo de tanta hiperatividade é mais fácil mesmo deixá-la de fundo, do que parar o corpo, acalmar, perceber coisas além da letra e do mais marcante.

Quando eu era mais nova, eu tinha muito o costume de parar tudo que fazia durante a tarde, por exemplo, e ficar só ouvindo a música, percebendo coisas dela. Acabei perdendo esse costume com o tempo, até que um dia, estava viajando, ouvindo música, quando comecei a reparar coisas que eu nunca tinha reparado em alguma canção do Móveis (Coloniais de Acaju). Depois desse dia, percebi que precisava fazer isso mais e mais vezes.

Estar preso no visual, já que vivemos num mundo bastante imagético, acaba atrapalhando muito a gente a ouvir música, paramos para prestar atenção em outras coisas e esquecemos que tem aquela música lá. Apagar a luz é bem legal nessas horas. Tudo parece saltar e ficar mais evidente.

Não digo que devemos parar de deixar a música como trilha sonora, porque ela é realmente um elemento ótimo na vida para se fazer isso, mas não acho que algo tão grandioso deva ficar só nesse patamar: ela deve ser degustada e aproveitada do jeito que merece.

(imagens: weheartit.com)

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2 pensamentos sobre “Música como trilha sonora ou música como alimento?

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