Falando de Fresno (e de mim, por conseqüência)

Desde que escrevi o post a respeito do Esteban, a carreira solo do Tavares, me deu uma puta vontade de escrever sobre a Fresno.

E aí, comecei a pensar: afinal, como escrever a respeito de uma banda que acompanha a minha vida há tanto tempo?

Quando achei a solução, pensei em um tipo de post que passasse por cada um dos discos da banda, porque sei que posso falar de cada um deles com certa propriedade (e de alguns com muito mais amor).

A Fresno entrou na minha vida em um dia que um colega de escola me emprestou o ” Quarto dos Livros”, o primeiro cd da banda. Depois daquelas dez músicas, foi pura paixão. Esse mesmo colega me deu esse cd de presente e, sem mentira alguma, colocava no repeat e ouvia muitas, muitas vezes em um dia.

Fresno esteve comigo durante os últimos 7 anos da minha vida, pelo menos. E nunca saiu, porque poucas bandas conseguem colocar em palavras tudo aquilo que sinto.

Já aviso, antes de começar este post pra valer que se você acha que Fresno é uma banda emo tonta e não quer acreditar em nada que eu vou falar aqui, eu dou o conselho de você tentar ao menos se despir um pouquinho disso, porque Fresno é bem mais do que essa imagem que se criou em volta de um nome que a maioria das pessoas nunca nem parou para escutar.

Bom, recado dado. Vamos lá.

Fiquei em dúvida sincera sobre qual seria o primeiro disco a comentar, se seria a demo “O Acaso do Erro” ou “Quarto dos Livros”. Optei por falar da demo.

Eu tenho muito amor por cada uma das músicas da demo, é sério. Mas a qualidade da gravação é péssima e, musicalmente, ela é bem falha em alguns momentos. Mas a real é que eram alguns garotos fazendo hardcore, de um jeito bem inocente ainda e isso é encantador.

As letras são simples, mas são bem bonitinhas, porque tem toda essa pegada adolescente que permite justamente existir coisas como “Seu namorado é um idiota”, entende?

Das sete músicas, as duas que mais gosto são “(se ao menos você voltasse)” e “se um dia eu não acordar”.

Depois vem “Quarto dos Livros”, que é um cd que eu tenho muito, mas muito amor.

Bom, acho que a maturidade que vem nesse disco vinha mostrar que a Fresno não ia ser só aquela banda de meninos juvenis.

Nesse disco, as letras começam a ser mais trabalhadas, mais metafóricas e mais sutis. Ao mesmo tempo, existiam as letras diretas. E esse é um ponto que fica até hoje na Fresno, algumas letras sutis e outras extremamente diretas.

Musicalmente, nesse disco, as músicas continuam com aquele pé no hardcore, mas acho que o pé no pop começa a existir, em músicas como “Carta”, principalmente.

Nesse disco, guardo um carinho especial por “Mais um Soldado”, “Stonehenge”, “O Gelo” e “Sono Profundo”. (Notem que o disco tem 10 músicas e eu guardo carinho especial por 4)

Depois veio “O Rio, a Cidade, a Árvore”. Uma marca muito, mas muito impressionante na Fresno é a maneira com que eles amadurecem a cada disco. É surreal.

Seria muito falar que esse é um dos discos que mais gosto da Fresno? Seria muito falar que eu tenho vontade de agarrar meu cd desse e não largar nunca mais?

“O Rio, a Cidade, a Árvore” é coeso. Extremamente coeso. As músicas se encaixam de forma que você sente que está ouvindo uma história.

Esse disco tem muito da vida, tem gritos e suspiros. Calma e pressa. Amor e desilusão.

Acho que uma coisa que me marca muito nesse disco é começar a perceber o quanto o Lucas estava se tornando, de fato, um grande cantor.

Nesse disco, tenho como prediletas “Orgulho”, “Impossibilidades”, “Verdades que Tanto Guardei”, “Outra Vez” e “Evaporar”.

Bom, o “Ciano” é um disco que demorei a gostar. Demorei muito. Porque acho que é quando o pop entra na Fresno de fato.

Juro que demorei mais de um ano para ouvir este disco e não reclamar nenhuma vez.

Depois que gostei, percebo um amadurecimento musical mesmo, que sai daquela amarra de “nós fazemos só isso” cai para outros ramos da música. E isso parece bastante positivo.

As letras vão de histórias de amor a frustrações pessoais.

Devo dizer que este disco saiu bem naquela época da moda insuportável de emo, em que todo mundo que não gostava de uma estética, passou a falar que odiava um estilo musical que nem conhecia. E, nesse momento da moda, justamente em que a Fresno podia ter se prendido naquilo que era mais seguro, eles foram lá e fizeram um disco mais aberto. Ponto para eles.

Nesse disco, “Absolutamente Nada”, “Cada poça dessa rua tem um pouco de minhas lágrimas” e “Logo você” são as minhas prediletas.

(Post gigante, né? Calma que faltam só mais dois discos… Hahahaha.)

Bom, o “Redenção” marca uma série de mudanças. Marca a entrada do Tavares como baixista. Marca a entrada da Fresno em uma gravadora. E com a entrada do Tavares, marca a mudança das composições.

Acho que o Tavares é um puta de um compositor e ele traz para a Fresno coisas mais quebradas, mais maduras musicalmente.

“Redenção”, para mim, é o momento mais pop da Fresno. E um dos mais emocionantes também.

É um cd bastante coeso e, apesar de trazer músicas que eu não gosto, é um dos discos que mais ouvi.

Nesse disco, a música que mais gosto é “Milonga”, que arrisco dizer que é a música que mais gosto em toda a carreira da Fresno. É uma das músicas mais trabalhadas, com uma das letras mais maduras e mais bem escritas.

O último cd, o “Revanche” juro que quase não escutei.

Não tinha baixado, porque não tinha tido interesse. E não sei porque não tinha surgido o interesse.

O pouco que ouvi, senti riffs mais puxados pro rock. Senti ainda a pegada pop. Senti as letras maduras. E senti que a Fresno firmou um lugar. Senti que eles são a Fresno e que ninguém mais é parecido com o que eles fazem.

Fiquei apaixonada pelo clipe de “Eu sei”.

Falo que falar da Fresno é falar da minha vida, porque sinto que musicalmente, fui trilhando caminhos parecidos. Os dois pés em um lugar, o começar a mesclar, o negar a origem, o voltar a origem com todas as mudanças das experimentações vividas.

Fresno é digno. Fresno é uma das melhores bandas nacionais. E eu só tenho dó das pessoas que se neguem a escutar música boa por puro preconceito.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s